A poeira enfim abaixou e surpreendeu a todos que pensaram que vinha tempestade por ai, mas no fim foi só mais um vendaval. Coloquei meu casaco, luvas e toucas para me proteger, não sabendo que era passageiro como chuva de verão e hoje já está o maior sol, nem da pra acreditar na ventania que estava por aqui até aqueles dias – que prometia devastar tudo o que construímos até aqui.
Não vou negar que me preveni: Construí muros e casas de concreto – resistentes o suficiente – para proteger tudo que eu tinha de valioso aqui dentro de mim. Fiz quase uma cidade inteira com arranha-céus e ruas asfaltadas, tudo forte o suficiente para não desmoronar diante da catástrofe que parecia se aproximar.
Hoje, depois de tudo aparentemente calmo tento demolir as paredes, tirando bloco por bloco -ainda com um pouco de receio que a luz desse sol lindo queime - mesmo que superficialmente - meu coração que estava tão acostumado com tudo cinza e nublado, talvez se ofusque com tanto brilho. Confesso, o processo é demorado, e as paredes são maiores do que imaginei, mas meu coração insiste em te olhar, em ver tudo renascendo aqui dentro de mim. Tirar a prova de que tudo voltou a ser como era antes.
Quem brilha mais: Se é o sol ou meu sorriso não sei. Mas Deus sabe o quanto eu rezei - todas as noites baixinho - pra que tudo desse certo, sem sair dos planos que ele tem pra mim. E acredite, o plano dele também é ficarmos juntos. Que seja feita a sua vontade então, pai e que seja tão eterno quanto minha fé. Amém

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