Vinte e poucos anos
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
De tirar o folego.
Desejei tanto, mas tanto um amor leve. Que fosse fácil como respirar, que fosse instantâneo, que não chamasse atenção como um letreiro colorido, que fosse um segredo só nosso, como uma fofoquinha contada no ouvido seguido de uma risadinha.
Mas ai vem você, que mudou tudo com tudo que você tem. Todos os conceitos que criei todos esses anos viraram do avesso: - Tá tudo errado, pensei.
Você curte rock e eu samba, é caseiro e eu da night, gosta da daquela cervejinha amarga e eu prefiro caipirinha docinha, é quieto e eu tagarela, é discreto e eu sou purpurina pura, fala mancinho e eu falo gritando, gosta de coisas simples e eu de luxo, é calmo e eu ansiosa, gosta de soneca da tarde e eu gosto de sol, gosta de barzinho tranqüilo e eu de balada cheia. Quem diria que daria certo? Nem eu mesma acreditei na gente no começo, achei que não passava de paixãozinha de adolescente, amor de verão. Que logo ia passar como usa brisa gostosa no calor escaldante de dezembro. Ah, se eu soubesse.
Você virou amigo, que virou namorado, que virou família e depois virou vicio. Eu não achava a porta de saída, estava presa a você. Tenho fobia, sabe – fobia de gente – fobia de me prender a alguém ou deixar que se prendam a mim, fobia de amor demais. Mas você mesmo sabendo da minha dependência nunca se aproveitou disso, pelo contrário: enquanto qualquer um me prenderia, você me soltou. Mostrou que voar é muito fácil quando se facha os olhos, tirou minha algemas e danço comigo na chuva, me fez correr, andar de bicicleta, me mostrou todas as estradas e caminhos que eu poderia caminhar se decidisse viver longe dali um dia, mostrou que me ama tanto que descobriu que me deixar livre era a única maneira de me prender.
De inicio eu me assustei, não estava acostumada a conviver com pessoas que soubesse olhar pro outros alem de enxergar somente si mesmo, nem achava que isso fosse possível. E eu descobri que mesmo sabendo correr, voar, mesmo eu conhecendo os caminhos mais lindos e o infinito desse céu azul, era pra você que eu queria voltar sempre. Não tinha liberdade que me desse mais prazer do que esse seu abraço que expulsa os problemas da minha mente.
Logo quis te agarrar a mim com tanta força que até eu quase me enforquei, depois fui soltando aos poucos com medo de você – tão raro – sumisse de mim, ou evaporasse como miragem desvendada. Mas você continuou aqui, é de verdade. Posso tocar, beijar, abraçar: você não é um projetor dos meus sonhos, é o presente que Deus me deu, a recompensa por ter um coração tão cheio de amor. Alias este era o motivo desse coração tão recheado: era sua chegada na minha vida, e o meu amor exagerado sempre foi pra ser seu, dês de quando nasci.
E nosso relacionamento é tão intenso quanto o que sentimos. Descabela, deixa louca, de pernas pro ar, sem chão, ensina a voar, vicia. Mas sabe qual é a melhor parte: não acaba. É excesso de açúcar que não faz mal, não engorda. Amor caramelado que não gruda, mas não deixa ficar longe.
As diferenças viraram desafios que já vencemos e encaixamo-nos como quebra-cabeças, descobrimos que combinamos em muitas coisas também. E aprendemos que nosso amor não pode ser leve, porque é grande demais. Só flutua no céu o que tem ar o suficiente para subir. E aqui não cabe mais nada: só nos dois. Você me arranca suspiros, me tira o ar e eu gosto.
Chuva de verão.
A poeira enfim abaixou e surpreendeu a todos que pensaram que vinha tempestade por ai, mas no fim foi só mais um vendaval. Coloquei meu casaco, luvas e toucas para me proteger, não sabendo que era passageiro como chuva de verão e hoje já está o maior sol, nem da pra acreditar na ventania que estava por aqui até aqueles dias – que prometia devastar tudo o que construímos até aqui.
Não vou negar que me preveni: Construí muros e casas de concreto – resistentes o suficiente – para proteger tudo que eu tinha de valioso aqui dentro de mim. Fiz quase uma cidade inteira com arranha-céus e ruas asfaltadas, tudo forte o suficiente para não desmoronar diante da catástrofe que parecia se aproximar.
Hoje, depois de tudo aparentemente calmo tento demolir as paredes, tirando bloco por bloco -ainda com um pouco de receio que a luz desse sol lindo queime - mesmo que superficialmente - meu coração que estava tão acostumado com tudo cinza e nublado, talvez se ofusque com tanto brilho. Confesso, o processo é demorado, e as paredes são maiores do que imaginei, mas meu coração insiste em te olhar, em ver tudo renascendo aqui dentro de mim. Tirar a prova de que tudo voltou a ser como era antes.
Quem brilha mais: Se é o sol ou meu sorriso não sei. Mas Deus sabe o quanto eu rezei - todas as noites baixinho - pra que tudo desse certo, sem sair dos planos que ele tem pra mim. E acredite, o plano dele também é ficarmos juntos. Que seja feita a sua vontade então, pai e que seja tão eterno quanto minha fé. Amém
Agosto/Desgosto
Escrito: 30/08/2013
Mas um mês chegando ao fim, como passa rápido. Tanta coisa
aconteceu que é difícil para pra digerir tudo. Como pode um mês só acumular
tantas coisas. Fui quase tudo que aprendi a ser em 19 anos, só nesses 30 dias:
Fui chorona, preocupada, triste, desprezei, fui desprezada, sorri, chorei,
fingi sorrir, forcei o choro, fui forte, fiz manha, fingir não ligar e em
outros dias realmente nem liguei pra nada. Todas as Biancas existentes em mim
se manifestaram. Todas fizeram parte do mês de Agosto/desgosto.
Quando eu era mais nova, ouvi tanta gente dizer que não
gostava desse mês e eu nunca entendi, achei que fosse um mês como todos os
outros, mas hoje sei que não, Agosto é o mês dos acontecimentos: Dos mais
esperados aos mais temidos, tudo depende da onde o vento da sua sorte está
soprando. Já dizia a piada: A-gosto de Deus. É, deve ser este o mês que Deus
tirou pra testar a gente, pra vê se passamos na prova sobre as lições que ele
nos ensinou. Acho que fui bem, me sinto guerreira. Lutei com unhas e dentes,
mas a arma principal não faltou: o coração, este esteve comigo em todas as
lutas, me deu força, e me mostrou ser mais forte que imaginei. Deve ser porque
é o lugar que guardo Deus e as pessoas que amo, minha força vem de lá, do
peito. E do lugar mais vital do corpo, acredito eu.
Agora, no fim do mês minha vontade é deitar no colo da minha
mãe e chorar, chorar todos os sorrisos que forcei, a felicidade que fiz
acreditarem que em mim existia enquanto eu travava uma batalha interna dentro
de mim, chorar os dias que fui forte, os dias que não permiti que o choro me
vencesse. Hoje pode, é o dia do fim, o dia que consigo ver o quanto venci, o
quão longe cheguei SOZINHA. O choro é de desabafo, mas também é de satisfação e
orgulho de mim mesma.
Hoje pode, pode porque sou humana e preciso me permitir
sofrer, isso mostra que por mais super-heroína que eu seja, eu sinto. Gosto de
sentir.
Me deixa chorar, que amanhã é dia de novas batalhas e minha
força vai se renovar. Nasce hoje uma nova pessoa com uma força imensa e uma fé
inabalável. Vem tudo do coração, hoje eu sei.
Abre aspas: Os Opostos Se Atraem – Por Que Você Não Deve Acreditar Nessa Mentira.
Os opostos se atraem. Muita gente já ouviu o velho ditado – e muitos de nós já o usou descaradamente para justificar a atração por aquele amante incontestável do pagode – que é lindo, por sinal – mas nunca toparia ir ao show da sua banda de rock preferida.
Afinal de contas, quando estamos interessados, a atração é uma força das mais poderosas que este universo já viu. Não adianta negar, olhar na direção oposta, gastar suas infinitas horas de computador fingindo que está trabalhando. Porque eu sei a verdade. Você estava esmiuçando o Facebook do moço. (Ah, os prazeres proibidos e deliciosos de se descobrir a vida inteira do fulano através de tweets, compartilhamentos e, meus preferidos, os álbuns de fotos. Ah, o prazer de ser stalker).
A gente gosta, e ponto final. Se tudo o que você quer é se divertir um pouco, realmente, a ligação mais profunda não precisa existir. Entre dois adultos que consentem, consentido está. O problema vem quando essa paixonite divertida começa a ocupar mais os seus pensamentos – e mais grave, um dia a vizinha bonitinha se transforma na mulher mais linda desse mundo, e você está planejando o segundo mês de namoro. Aí, meu amigo, temos um problema a ser resolvido.
Relacionamentos são bastante parecidos com equações. Até dá para mexer nos elementos desde que eles combinem entre si. Estou plenamente convencida de que, do alto da minha experiência de mulher moderna nesse mundo maluco do amor, a nossa tendência é se ferrar muito se não tivermos isso em mente: escolha alguém com os mesmos valores que você. E se possível, cujos gostos não sejam assim tão divergentes.
Explico: é até divertido namorar aquele cara que não tem nada a ver. O rockeiro se você é do funk, o funkeiro se você bate cabeça no rock. Conhecer um mundo novo, descobrir aqueles filmes B dos anos 1950 que ninguém mais poderia ter te apresentado (até porque ninguém mais viu). O novo é lindo, o novo é excitante, e gente aberta para o friozinho na barriga tem mais amor à vida.
Mas, quando a gente quer embarcar de vez em um relacionamento, planejamento é uma boa. A ideia não é sair fazendo uma planilha do Excel e comparando todos os seus gostos e comportamentos com o da sua metade. O que é sempre bom ter em mente é que, em um ano, você já vai ter superado a fase excitante de exploração do mundo do outro. E aí, se vocês forem mesmo opostos, vai começar a etapa do estranhamento.
Quando o problema é o gosto diferente, o risco é ficar ressentido toda vez que é obrigado a fazer um programa que você não gosta – tipo ter que ficar em casa na sexta à noite quando a sua essência é baladeira. Quando são os valores, então, o problema é quase insuperável. Nunca entendi porque, depois da fase de exploração inicial do namoro, casais com opiniões diferentes com relação a filhos juntam os trapos. Um deles ama crianças, o outro não quer nem pensar em ter filhos. Meu amigo, você tem um problema. Porque deste tipo de coisa (assim como a maior parte de nossos valores, sonhos e aspirações) não se abre mão. Nem por você nem por ninguém.
É assim que se criam relacionamentos frustrados. Do exercício diário de abrir mão das pequenas coisas – até que as grandes também se percam pelo caminho. No primeiro dia, é só essa saída com as amigas. Depois, aquele emprego em outra cidade nem estava me deixando tão animado assim. E, no fim, anos se passaram e você enterrou coisas demais aí dentro, debaixo de um mar de mágoas contra alguém que, querendo ou não, só estava sendo ele mesmo. Opostos podem até se atrair. Mas (usando outro velho complemento a este ditado), no mundo dos relacionamentos, os iguais se mantém atraídos por mais tempo.
Vania Medeiros
sábado, 31 de agosto de 2013
Como lidar com meus monstros.
Escrever, até que os dedos criem calos e o corpo se canse da
mesma posição. Escrever porque sinto que assim o sentimento vai embora junto
com cada letra teclada, e tem certos sentimentos que não valem a pena deixar
guardado dentro do coitado do coração, então escrevo.
Olho pro lado, pro outro.. e não há duvidas: a única companhia que tenho hoje
sou eu. Então somente eu sei o que se passa aqui dentro, e sozinha tenho que me livrar de todo essa bagunça. È certo que neuras nossas, somos nós que precisamos aguentar, mas quando alguém se dispõe a segurar sua não, tudo fica mais fácil. A dor coroe, os
olhos encharcam e eu escrevo.
Cadê quem prometeu nunca me abandonar? Quem disse que me
amava mais que tudo? Que preferia a mim diante de qualquer outra escolha?
Desistiu quando viu as cicatrizes? Quando viu que apesar de toda beleza, sou
humana? Abandonou o barco?
Não tem problema não. Minha presença vale mais que abraços
falsos, e muito mais que palavras ditas por pura obrigação. Não tem problema,
eu escrevo o alfabeto inteiro quantas vezes for pra essa dor evaporar, passo a
noite inteira se for preciso. Mas sei amar meus monstros e sei lidar com eles.
Nos deixem a sós.
Quase morrendo de amor.

Qual o preço que se paga quando você ainda ama o que não existe
mais? O que fazer com dois corações que não aceitam o fim?
A essas alturas do campeonato consigo entender:
Relacionamento não é composto só de amor, e nossos outros ingredientes já estão
vencidos a tempo. A receita toda azedou.
A gente fica tentando comprar coisas novas, pra incrementar.
Mas não adianta, quando o fim chega, ele não te deixa recomeçar.. a única coisa
que nos sobra é a aceitação. Ahan, e cadê? Onde encontro isso?
Não tem vinte e cinco de março que te ajude nessas horas,
meu filho. Olhe pra você, e veja se vale a pena carregar o fardo de um amor
desgasto e estragado sozinho, nas costas. Entenda que essa guerra não é só sua, a luta não é só sua, e como você pode ver está sozinha e por mais forte que seja, você
não terá força pra carregar sozinha o
que só duas pessoas conseguem.
Amor próprio? Sim, claro. Ele tá aqui. Mas este não aquece
seus pés, não te faz cafuné e nem te ouve quando precisa desabafar.
Mas é hora de partir, novos caminhos, novos ares. Quem sabe não encontro a felicidade por ai? O que tenho em mãos é quase nada, mas tem que ser o
suficiente. Me largue, me deixe ir. Para de dizer no meu ouvido palavras doces,
para de dizer que me ama. Amor só não basta, cadê o restante? Chega, não vou
mais sorrir uma felicidade que não existe. Por tanto tempo quis que você
segurasse minha mão, e todas as vezes eu me vi sozinha. Agora te peço: solte-a.
Já não dá mais tempo, a vida me chama, e você que ontem me dava asas, hoje prende me prende
ao chão, o que sinto por você me sufoca e eu sou muito nova pra morrer
enforcada. Adeus.segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Prestes a perder.
"Reza, reza muito pra não aparecer ninguém que mexa comigo enquanto você fica brincando de não saber o que quer."
Autor desconhecido
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